Sede do Sport
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Bomba no Sport! Conselheiros vão à Justiça para anular contrato milionário com a FFU até 2074

Três membros do Conselho Deliberativo do Sport acionaram a Justiça para tentar derrubar os contratos firmados pelo clube com o Futebol Forte União (FFU), antiga Liga Forte União, além da Sports Media Participações S.A. e do Condomínio Forte União. O caso está sob análise da 31ª Vara Cível do Recife.

Pedro Leonardo Lacerda - Sport
Pedro Leonardo Lacerda – Sport

Os autores da ação são o advogado e ex-presidente do Conselho Deliberativo Pedro Leonardo Chiappetta de Lacerda, além dos conselheiros Pedro Pessoa de Lacerda e Carlos Frederico Domingos.

Eles pedem a anulação do modelo de adesão do Sport à liga, que prevê a cessão de 20% dos direitos de arena e comerciais do clube por 50 anos, contrato com vigência até 2074.

Na petição, os conselheiros afirmam que a diretoria executiva teria ultrapassado seus poderes ao firmar o acordo sem submeter o tema à Assembleia Geral, instância máxima do clube, como determina o estatuto.

Segundo o documento, não se trata apenas de receitas futuras, mas de ativos estratégicos do Sport que exigiriam aprovação formal dos órgãos soberanos. Para os autores, a ausência dessa deliberação torna o negócio juridicamente questionável.

Direito de arena e possível afronta à Lei Geral do Esporte

Outro eixo da ação é a crítica ao que os conselheiros classificam como “financeirização” do direito de arena. Eles sustentam que a transferência da titularidade econômica à Sports Media violaria a legislação esportiva, que limita esse tipo de cessão a entidades de administração ou prática desportiva.

Além disso, a governança do Condomínio Forte União é apontada como fator de perda de autonomia. Embora o investidor detenha 20% das cotas, possui poder de veto em decisões estratégicas — como plano de negócios e dissolução do condomínio, que exigem quórum de 90%.

De acordo com os autores, esse formato cria distorções competitivas. Eles defendem que o modelo impõe “barreiras econômicas artificiais” antes mesmo da disputa esportiva, comprometendo a lógica meritocrática das competições.

Sport na LFU: Quanto o Leão pode faturar com os novos direitos de TV do Brasileirão? - Arte: Luis Gustavo
Arte: Luis Gustavo

Críticas à divisão de receitas e tensão na Série B

A ação também questiona os critérios de distribuição de receitas, alegando favorecimento a clubes com maior audiência histórica. O ponto ganha relevância diante do recente manifesto assinado por 18 clubes da Série B que integram o FFU, cobrando mudanças estruturais na condução comercial da liga. A crise foi contornada após reunião do condomínio que tratou dos repasses financeiros.

Empresas citadas e suspeitas de conflito de interesse

Os conselheiros ainda levantam dúvidas sobre a atuação de empresas envolvidas na estruturação do negócio. A LiveMode é citada por ter atuado como consultora dos clubes e, ao mesmo tempo, manter relações com a investidora via Life Capital Partners.

A empresa também negociou direitos de transmissão e controla a CazéTV, uma das plataformas que adquiriu direitos do Brasileirão.

Já a XP Investimentos aparece mencionada como assessora no processo e posteriormente noticiada como investidora da liga, o que, segundo a ação, gera questionamentos sobre eventual conflito de interesses.

A General Atlantic também é lembrada na petição, diante de notícias iniciais sobre sua participação na operação, seguidas de negativas públicas sem maiores esclarecimentos.

Pedido de suspensão imediata

Em caráter de urgência, os autores solicitam que a Justiça suspenda imediatamente os efeitos dos contratos, permitindo que o Sport negocie livremente seus direitos comerciais já nesta temporada.

No mérito, pedem a declaração de nulidade do modelo e o reconhecimento da titularidade plena do clube sobre seus ativos, decisão que, se favorável, pode provocar um impacto profundo no futuro financeiro do Leão.