A ação movida por sócios patrimoniais do Sport pedindo a nulidade da adesão ao contrato que compromete 20% dos direitos de arena por 50 anos junto à Liga Forte União deixou de ser apenas uma disputa jurídica.

Virou um debate sobre autonomia, transparência e respeito ao estatuto. E parte de um ponto inegociável: uma decisão dessa dimensão não deveria ter sido tratada como ato administrativo ordinário nem resolvida apenas dentro do Conselho.
Ceder parte relevante das receitas até 2074 não é detalhe contratual. É mexer na espinha dorsal financeira de um clube que atravessa recuperação judicial e reestruturação interna. Direitos de transmissão sustentam elenco, base, infraestrutura e competitividade.
São o oxigênio do futebol moderno. Comprometê-los por meio século exige Assembleia Geral, debate público e escrutínio cláusula por cláusula. Pressa de mercado nunca pode atropelar governança. O percentual chama atenção. O prazo assusta. Cinquenta anos é uma geração inteira.

Dirigentes passam. Presidentes passam. O contrato permanece. E com ele, a vinculação do voto do clube a interesses estruturais do Brasileiro. Decisões sobre formato de competição e reorganização institucional poderão depender da anuência de investidor privado. Isso não é parceria pontual. É amarra estratégica.
A Liga Forte União nasceu com discurso de fortalecimento coletivo e ruptura com modelos concentrados. Mas protagonismo sem autonomia é apenas retórica bem embalada. Se a antecipação financeira cobra como contrapartida meio século de dependência, a conta pode sair cara demais e não apenas no balanço.
Texto publicado no Esportes DP
Veja mais notícias do Sport, acompanhe a classificação além da história e títulos do Sport Club do Recife.

