A diretoria do Sport decidiu dobrar a aposta em Roger Silva. Pelo menos até a estreia na Série B, neste sábado, contra o Cuiabá. É um movimento típico de quem empurra todas as fichas para o centro da mesa: um “all in” sustentado mais pela esperança do que por evidências concretas dentro de campo.
Os números, à primeira vista, oferecem um verniz de estabilidade. Roger chegou a engatar uma sequência de 10 jogos sem conhecer derrota, que veio justamente na partida contra o Athletic. Números que, isoladamente, poderiam sugerir consistência da equipe leonina.

Mas o futebol não se explica em planilha. A frieza dos dados não resiste a 90 minutos de observação mais atenta. O que se vê é um time sem identidade. Não há um modelo de jogo reconhecível, não há padrões claros de construção ofensiva, tampouco mecanismos defensivos confiáveis.
A equipe oscila entre a desorganização e a previsibilidade, muitas vezes refém de lampejos individuais que não se sustentam ao longo da partida. As escolhas do treinador também pesam e muito.
A insistência em determinados nomes no time titular, mesmo sem entrega ou rendimento compatível, contrasta com a pouca utilização de outras peças que poderiam oferecer alternativas e seguem no banco de reservas. Falta critério, sobra teimosia.

E há o fator mais sensível de todos: o torcedor. A eliminação na Copa do Brasil, dentro da Ilha do Retiro, não foi apenas um resultado negativo. Foi um ponto de ruptura. A paciência, que já vinha curta, praticamente se esgotou. O ambiente, hoje, é de desconfiança.
Bancar Roger Silva neste momento é mais do que uma escolha técnica. É uma decisão política e de risco. Porque, se o desempenho não mudar rapidamente, o custo desse “all in” pode ser alto e cobrado com juros pela arquibancada.
Texto publicado no Esportes DP
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