Não há hoje maior fonte de tensão para os dirigentes do Sport do que a definição do comando técnico. O clube se divide: há quem defenda pressa na escolha, quem pregue paciência e quem quer efetivar Márcio Goiano.

O problema é que não existe zona de conforto. Os resultados positivos, que deveriam acalmar o ambiente, acabam contaminando a análise. Vencer, no futebol, muitas vezes ilude: encobre falhas, adia correções e cria sensação de estabilidade que nem sempre se sustenta.
É nesse ponto que mora o risco de um diagnóstico equivocado. A discussão vai além de nomes. Trata-se de modelo, de convicção, de direção. O Sport carrega no seu histórico apostas em treinadores em ascensão, algumas bem-sucedidas, como Eduardo Baptista e Daniel Paulista, além de Leão e Dorival.
O passado oferece referências, mas não garante acerto. Futebol não respeita tradição quando falta coerência. A decisão da atual gestão é, até aqui, a mais sensível. Não basta escolher: é preciso sustentar a escolha. Seja com um nome de fora ou com Márcio Goiano, o treinador precisa de respaldo total.
Sem isso, qualquer oscilação vira crise e, no Sport, crise costuma ter efeito dominó. O risco é claro. Um erro agora não compromete apenas o desempenho imediato: pode desviar o clube do objetivo do acesso e, no pior cenário, empurrá-lo para uma realidade que hoje parece distante, mas que o futebol insiste em lembrar: nunca é impossível.

Texto publicado no Diário de Pernambuco
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