O jornalista Fred Figueiroa, do Podcast 45 Minutos, publicou uma longa análise nas redes sociais após a eliminação do Sport para o Fortaleza na Copa do Nordeste. Em uma sequência de publicações, reconheceu os méritos de Márcio Goiano ao assumir o time em um momento turbulento, mas fez fortes críticas à evolução do trabalho e apontou problemas estruturais.
Logo no início da análise, Fred destacou que Márcio conquistou a efetivação no cargo com resultados e por conseguir “estancar a sangria” deixada pela comissão anterior. Ainda assim, afirmou que nunca considerou a escolha como o caminho ideal para o clube.
“Particularmente, nunca fui à favor deste caminho porque, pra mim, o planejamento responsável e condizente com o que deveria ser objetivo do clube na temporada deveria sempre prevalecer”, escreveu.

O jornalista relembrou que o Sport chegou a negociar com treinadores da Série A antes de mudar completamente a rota e apostar em Márcio Goiano, técnico que vinha de trabalhos discretos no futebol goiano.
“O mesmo clube que começou este novo ciclo negociando com um técnico que estava (e continua) na Série A deu um cavalo de pau na sua visão e no seu planejamento”, afirmou.
Apesar disso, Fred disse compreender a decisão tomada pela diretoria naquele momento. Segundo ele, os resultados positivos facilitaram a permanência do treinador, além de fatores como ambiente interno controlado, menor custo e aceitação popular: “A convicção? Mínima. ‘Efetivamos, mas seguimos observando o mercado’, disseram”, destacou.
Críticas ao sistema defensivo
Mesmo reconhecendo que os números de Márcio Goiano seguem positivos após 12 jogos, Fred afirmou que já é possível perceber limitações graves no trabalho, especialmente no sistema de marcação e na saída de bola.
“Já fica cada vez mais fácil analisar a evolução real do trabalho. A incapacidade de corrigir problemas gritantes, graves e estruturais”, escreveu.
O jornalista ainda relembrou que vinha alertando sobre a possibilidade de o Sport sofrer diante de equipes mais organizadas, algo que aconteceu recentemente contra CRB e Fortaleza, ambos na Ilha do Retiro.
“Vai acabar chegando um time e abrir um 2×0 na Ilha fácil”, relembrou Fred, citando que já havia feito esse comentário anteriormente nos programas do Podcast 45 Minutos.
Fred também apontou a partida contra o Asa, pela Copa do Brasil, como um dos maiores sinais de alerta do sistema defensivo rubro-negro.
“O ‘caos’ do sistema de marcação que muitos não viam ou não queriam ver foi exposto de forma didática contra o Asa. Um time da Série D”, disparou.

“A vitória deleta o roteiro”
Na análise, Fred Figueiroa criticou parte da torcida e do ambiente externo ao clube por ignorarem problemas coletivos em função dos resultados positivos: “O problema é que, pra muita gente, a vitória deleta o roteiro”, escreveu.
Segundo ele, falhas recorrentes continuam acontecendo e apenas ficam “escondidas debaixo do tapete”, impedindo que o Sport evolua coletivamente: “Os problemas continuam todos ali, impedindo o Sport de evoluir, de se tornar mais sólido, mais seguro”, afirmou.
Fred ainda destacou que o Sport vem sobrevivendo muito mais pela qualidade individual ofensiva, pelas atuações do goleiro ou pela capacidade dos zagueiros em corrigirem situações emergenciais do que propriamente pela organização coletiva.
Cobrança por mudanças
Na parte final da publicação, o jornalista reforçou que seguirá torcendo pelos resultados positivos do Sport, mas defendeu mudanças urgentes na equipe.
“Nunca vou aceitar a tese do ‘é melhor perder pra escancarar e mudar logo’. De forma nenhuma. O caminho deveria ser sempre torcer pra vencer de qualquer jeito e mudar o que precisar ser mudado”, escreveu.
Fred pediu ajustes imediatos na marcação e na saída de bola, classificando o setor como “uma bomba relógio de entregadas”. Ele também sugeriu testes com dois volantes alinhados, algo que, segundo ele, não foi feito nem por António Oliveira nem por Márcio Goiano.
Por fim, o comentarista alertou para o risco de o clube ignorar os sinais recentes apresentados nas partidas contra Asa, CRB e Fortaleza: “Se ninguém somar o que aconteceu na Ilha contra Asa, CRB e Fortaleza, aí se multiplicará o risco de quando o tapete já não for suficiente para encobrir a montanha de erros seja tarde demais”, concluiu.
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