Gilmar Dal Pozzo inicia sua segunda passagem pelo Sport cercado de expectativas e com uma missão clara: fazer o Leão voltar a vencer e recolocar a equipe na briga pelas primeiras posições da Série B do Campeonato Brasileiro. Após a demissão de Márcio Goiano, o treinador retorna à Ilha do Retiro encontrando um cenário diferente daquele de 2022, mas com um desafio semelhante: recuperar o desempenho da equipe em meio a uma sequência de resultados negativos.

O momento do Sport exige uma resposta rápida. Desde a vitória por 2 a 0 sobre o Náutico, pela 11ª rodada, o Rubro-negro conquistou apenas três dos últimos 12 pontos disputados. A sequência de tropeços fez o time deixar o G-6 e aumentou a pressão da torcida por uma reação imediata.
Agora, Dal Pozzo terá pouco tempo para implementar sua filosofia antes do duelo contra o Criciúma. Os principais desafios passam por dois aspectos fundamentais: melhorar a produção ofensiva e tornar a equipe mais consistente defensivamente.
Ataque precisa deixar de depender apenas de Barletta e Perotti
A queda de rendimento do Sport nas últimas rodadas ficou evidente principalmente na dificuldade da equipe em criar alternativas ofensivas.
O empate em casa contra o Athletic-MG, o 0 a 0 diante do São Bernardo com um jogador a mais durante todo o segundo tempo, o empate sofrido nos acréscimos contra o Atlético-GO e a derrota para o Fortaleza mostraram um time previsível e excessivamente dependente de seus principais jogadores.
Na avaliação do comentarista Cabral Neto, uma das primeiras tarefas de Gilmar Dal Pozzo será melhorar a construção das jogadas e dar mais repertório ofensivo ao time.

“Com a bola, o Sport precisa evoluir na saída de jogo, especialmente contra adversários que marcam alto e dificultam a construção inicial”, analisou.
Nesse aspecto, Dal Pozzo reencontra dois velhos conhecidos. Em 2022, quando comandou a Chapecoense, trabalhou com Chrystian Barletta e Pedro Perotti durante dez partidas da Série B. Sob seu comando, a dupla marcou sete gols.
Hoje, ambos voltam a ser protagonistas. Juntos, Barletta e Perotti participaram diretamente de 13 dos 18 gols marcados pelo Sport nesta Série B, demonstrando a importância da dupla para o sistema ofensivo rubro-negro.
Para Cabral Neto, o treinador precisará encontrar o equilíbrio ideal.
“No ataque, o desafio é equilibrar duas necessidades que podem parecer conflitantes, mas não são: reduzir a dependência de Barletta e Perotti, ampliando o repertório ofensivo da equipe, mas, ao mesmo tempo, potencializar seus dois principais jogadores.”
O comentarista acrescenta que o Sport precisa criar novas formas de atacar.
“O Sport precisa criar mais alternativas, permanecer mais tempo no campo adversário e encontrar diferentes caminhos para ser perigoso, sem concentrar quase toda a sua produção ofensiva em apenas dois nomes.”
Organização defensiva será prioridade de Dal Pozzo
Se o ataque precisa de novas soluções, a defesa também exige atenção imediata.
Embora os números gerais não sejam alarmantes, o Sport tem encontrado dificuldades para sustentar resultados. Na atual Série B, a equipe sofreu três gols nos acréscimos do segundo tempo, desperdiçando cinco pontos que hoje fariam enorme diferença na classificação.
O Avaí empatou aos 50 minutos da etapa final, ainda na quarta rodada. Contra o Atlético-GO, o gol do empate saiu aos 51 minutos. Já diante do Fortaleza, o Leão sofreu o gol da derrota aos 50 minutos do segundo tempo.
Caso tivesse administrado essas vantagens, o Sport teria 30 pontos e lideraria a Série B de forma isolada. Em vez disso, caiu para fora do G-6 e viu a pressão aumentar sobre o departamento de futebol.
Na visão de Cabral Neto, esse será o principal ponto de atenção do novo treinador.
“Os primeiros desafios de Gilmar Dal Pozzo no Sport passam pela organização defensiva. Embora a equipe não tenha números tão ruins em gols sofridos, o desempenho sem a bola é preocupante.”
Para o comentarista, o sistema defensivo ainda oferece muitas oportunidades aos adversários.
“O time permite pressão excessiva dos adversários, depende com frequência da inspiração de Thiago Couto ou da falta de precisão dos atacantes rivais para se manter competitivo. Ajustar a proteção pelos lados do campo e dar mais consistência ao setor central será fundamental para aumentar a sensação de segurança da equipe.”
Missão é recolocar o Sport na luta pelo acesso
Mais do que substituir Márcio Goiano, Gilmar Dal Pozzo chega ao Sport com a responsabilidade de recuperar a confiança do elenco e devolver competitividade ao time.
O treinador assume uma equipe que mostrou qualidade suficiente para permanecer durante boa parte da Série B entre os primeiros colocados, mas que perdeu rendimento justamente no momento em que precisava confirmar sua força na competição.
Os primeiros desafios passam por tornar o Sport mais sólido defensivamente, ampliar as opções ofensivas e fazer o time voltar a transformar boas atuações em vitórias.
Se conseguir resolver esses problemas rapidamente, Dal Pozzo poderá recolocar o Leão no caminho do acesso e escrever uma história diferente daquela vivida em sua primeira passagem pela Ilha do Retiro.
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