Abril caminha para ser mais decisivo fora de campo do que dentro dele. Até o dia 30, os clubes precisam apresentar seus balanços de 2025. No Sport, também se espera o resultado da auditoria independente contratada pela atual gestão.
Trata-se de um raio-x tardio de estruturas que há anos operam no limite. O Trio de Ferro já não consegue esconder o padrão: passivos elevados, fluxo de caixa estrangulado e atrasos que deixaram de ser exceção para virar método. O cenário não é novo. O que muda agora é a urgência.

No Sport, a Recuperação Judicial representou controle e previsibilidade, e vem sendo cumprida. Já Náutico e Santa Cruz seguem presos a indecisões que alimentam incertezas sobre seus próprios processos. E incerteza, em ambiente financeiro fragilizado, cobra juros altos.
A origem do problema é conhecida, quase cansativa de repetir: gestões que apostaram mais no que poderia entrar do que no que efetivamente existia. Receita projetada virou muleta. Planejamento virou retórica. E o futebol sempre apresenta a fatura.
É nesse ponto que a auditoria deixa de ser peça burocrática e passa a ser instrumento de confronto com a realidade. Não se trata de organizar números. Trata-se de expor práticas e vícios estruturais. Onde está o verdadeiro gargalo? Na folha inflada? Em contratos mal desenhados? No passivo tributário?
Ou na ausência crônica de governança? O torcedor, historicamente engajado, hoje convive com desconfiança crescente. E com razão. Sem clareza, não há reconstrução de credibilidade.
Sem credibilidade, não há futuro sustentável. Abril não pode ser apenas o mês da entrega de documentos. Precisa ser o mês das respostas. E, principalmente, da responsabilização de quem decide.

Veja mais notícias do Sport, acompanhe a classificação além da história e títulos do Sport Club do Recife.

