Em meio à luta pelo acesso à Série A, o Sport também atravessa um processo de reestruturação administrativa e financeira. Leonardo Cruz, membro da diretoria de futebol rubro-negra, detalhou os desafios encontrados pela atual gestão e fez críticas contundentes ao período comandado pelo ex-presidente Yuri Romão.
Em entrevista ao podcast Futebol Diario, Leonardo afirmou ter participado diretamente do movimento de oposição à antiga administração e associou parte das dificuldades atuais às decisões tomadas anteriormente.
“Quem me acompanha sabe a luta que foi, eu praticamente liderei para tirar Yuri, porque eu identificava as ilegalidades que estavam acontecendo dentro do clube e encabecei, e comigo teve Zé do Gás, teve o Luciano Bvar, tiveram comigo”, afirmou.
O dirigente também chamou atenção para o cenário financeiro encontrado: “Foi muito difícil, o Sport teve quase 800 milhões em cinco anos, e hoje o clube é atolado em dívida inacreditável de má gestão”, completou. As declarações representam a avaliação de Leonardo Cruz sobre a administração anterior.

Por que o Sport adota uma política financeira mais cautelosa?
A postura da gestão de Matheus Souto Maior também recebe críticas, especialmente quando o assunto é investimento no futebol. Com o Sport disputando o acesso, parte da cobrança está relacionada à necessidade de elevar o nível do elenco.
Leonardo defendeu o planejamento atual e utilizou uma expressão curiosa para explicar a estratégia: “Hoje existe uma crítica muito em cima de Matheus, mas é uma política pé no chão, de ser irresponsável sendo responsável”, explicou.
Segundo o dirigente, porém, responsabilidade financeira não significa deixar de assumir riscos calculados quando o futebol exige investimentos: “A gente sabe que para ter um êxito a gente não pode ficar fechado numa cúpula e dizer assim, ‘eu tenho 100 e vou gastar 100’. Muitas vezes tem que ser até irresponsável, e a gente tem isso muito cronometrado”, disse.
Assim, o desafio da direção é encontrar um ponto de equilíbrio: fortalecer o elenco para buscar o acesso sem ampliar de maneira descontrolada os problemas financeiros do clube.
Leonardo Cruz fala em nova cultura de gestão no Sport
Leonardo definiu o momento vivido internamente como uma reestruturação do Sport. Nesse processo, destacou a participação do presidente Matheus Souto Maior, do vice-presidente Kadico Pereira e do CEO Felipe Ximenes.
“Hoje o trabalho é de reestruturação no clube. A gente tem um CEO que é o Felipe Ximenes, um cara que é muito conhecido, rodado, foi dirigente de futebol, e hoje ele foi professor da CBF Academy, então tem uma experiência muito grande na gestão do clube”, afirmou.
O dirigente também reconheceu que a atual administração passa por um período de adaptação: “É uma coisa nova para Matheus, porque foi vice-presidente de TI, né, não é muitas vezes o fim do clube, que é futebol, então fica. Tem Kadico que tá muito junto, então é uma nova geração que assume, tentando mudar inclusive a cultura de como gerir”, explicou.
Leonardo entende que os efeitos desse trabalho nem sempre aparecem imediatamente para quem acompanha o clube principalmente pelos resultados esportivos: “Eu acredito que vai ter um resultado muito positivo para o clube. É coisa muito interna, que o torcedor não vê, só vê campo e tá certo”, afirmou.
“Eu acho que o Sport está num caminho certo de reestruturar o clube e o mais importante, pacificar. Não existe nós contra eles. Nós somos Sport e isso que é o mais importante. Isso que tem que entender. Podemos pensar formas distintas, mas por um bem maior”, concluiu.
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